Um ano à Ricardinho - entrevista exclusiva 

Ricardinho decidiu entrar no novo ano com uma entrevista exclusiva ao seu site oficial. Um balanço de 2014 e as expectativas para 2015 foram os temas abordados nesta conversa informal e sem tabus. Para R10 ganhar é tudo na vida, portanto comecemos por aí…

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2014 foi um ano de muitos prémios individuais e colectivos. Qual o segredo?

O segredo passa sempre por teres uma equipa bastante compacta e que todos tenham em mente o mesmo objetivo. O trabalho diário a pensar em dar o melhor de mim todos os jogos é o que faço ano após ano e graças a deus o último foi fantástico!

 

No teu clube (Inter Movistar), o mês de Março foi o primeiro momento alto do ano com a conquista da Copa de Espanha. Contavas vencer logo este troféu?

Eu sempre disse que vinha para ajudar a equipa a chegar às finais de todas as competições que estivéssemos inseridos, infelizmente falhamos a Copa do Rei, mas conseguimos a Copa de Espanha (prova disputada entre os 8 primeiros da Liga na 1ª volta) e logo mais tarde a tão desejada Liga. 

 

Quanto à Copa foi muito especial porque foi a primeira e por termos de vencer os dois rivais mais fortes (Barcelona e ElPozo) com jogos verdadeiramente apaixonantes para quem gosta da modalidade.

 

Foste o melhor jogador da prova, primeira afirmação perante os nuestros hermanos... 

Óbvio que podia ter tocado a outro jogador da nossa equipa porque todos fizemos uma Copa fenonenal, mas quando ouvi o meu nome foi sem dúvida uma felicidade imensa. (Ricardinho faz uma pausa) 

E não posso deixar de dizer que foi também mais um "estalo de luva branca" para muita gente, não só de Espanha mas do Mundo todo! Houve sempre dúvidas do meu valor para jogar nesta liga, mesmo tendo tido sempre sucesso coletivo por onde passei.

 

Daqui para a frente foram imbatíveis em toda a Liga. Esta conquista foi o tónico que precisavam para explodirem como equipa ou a confiança já era grande?

A confiança era grande mas obviamente que ganhando uma competição tão importante e vencendo como disse anteriormente dois rivais tão complicados deu uma confiança extra a todos.

 

Na final, os analistas projectavam duelos escaldantes e com 5 jogos praticamente garantidos. O Inter despachou o ElPozo em três partidas. Conta-nos tudo sobre esta final...

E os analistas acertaram… A final com o ElPozo foi sem dúvida  escaldante apesar de ter sido em 3 jogos! Nós sabíamos que os 2 primeiros encontros em casa seriam decisivos, o ElPozo ia lutar por vencer um e levar a decisão para Murcia.

A entrada na final foi excelente, logo no primeiro jogo as coisas correram bem para o nosso lado.  Para mim foi o jogo decisivo, porque além de nos dar muita confiança para o dia seguinte, passou mais pressão para o lado deles!  

O segundo jogo foi demasiado agressivo, com eles a jogarem um pouco à margem das leis. Do nosso lado entramos um pouco nesse jogo e podia ter corrido mal, mas felizmente ganhamos!

 

Aí ficaram a precisar de vencer apenas um jogo quando ainda tinham três pela frente…

Essa vantagem deu-nos muita tranquilidade e conseguimos fazer mais um jogão! Ganhámos logo o primeiro e foi sem dúvida inesquecível... 

 

Depois da conquista do título em Murcia seguiram-se dias de imensa festa... Foram até ao jornal A Marca, foram recebidos na Camâra de Alcalá de Henares pelo seu presidente e foram até à varanda da mesma festejar com os adeptos. Ficaste surpreendido com a importância dada à modalidade ou já estavas à espera disto?

Já sabia que em Espanha dão muito valor ao futsal, e ao Inter pelo êxito que tem dos anos anteriores (é a equipa com mais títulos do Mundo). Com isto esperava algo muito bom mas com esta dimensão nunca pensei... Foi espetacular!!

 

Jogo após jogo, treino após treino tornaste-te num verdadeiro herói da aficción interista. Depois dos jogos muitas vezes vemos que ficas largos minutos com os fãs... Eles são mesmo tão especiais para ti?

Os fãs/adeptos são um parte muito importante para mim, pois sou um jogador bastante emotivo (mostra-nos a pele de galinha no braço) e que gosta de alegrar quem vem ao pavilhão apoiar. Como tal, sinto que preciso de lhes retribuir todo o carinho que me dão durante os jogos, e não só. As mensagens nas redes sociais são sempre muitas e como não consigo responder a todos preciso de agradecer aos que estão no pavilhão.

 

Em Setembro, perante um auditório completamente lotado recebeste o prémio de melhor jogador e melhor ala da Liga. Foste o único estrangeiro a subir ao palco naquele dia e logo no ano de estreia...

(Respira fundo várias vezes antes de responder) Sim, foi algo muito bom e que me deixou incrívelmente feliz mas não esqueço que foi preciso muito trabalho de equipa além do individual! Tenho orgulho no que consegui na época passada mas quero mais…

 

Em 2014, no que ao Inter diz respeito penso que ficaste com um grande amargo de boca: a eliminação da UEFA Futsal Cup. O que falhou em Odivelas?

Basicamente falhou tudo! Falhou o jogarmos com 6/7 jogadores que normalmente jogam pouco tempo e que foram lançados para um competição tão importante sem qualquer experiência europeira, falhou o desgaste fisíco devido à enorme quantidade de partidas jogadas antes de viajarmos para Lisboa e falharam outros pormenores que ficam no nosso balneário… mas o maior amargo foi mesmo não poder jogar para tentar ajudar a equipa no meu país e na melhor competição do Mundo de clubes!

 

Quanto à tua lesão, está finalmente debelada? Quando temos R10 a espalhar de novo magia?

Finalmente parece que o pior já passou, mas infelizmente ainda tenho algumas dores e além do mais não podemos esquecer que foram 2 meses sem qualquer treino, onde perdi toda condição física e muita massa muscular. Agora tenho que voltar de forma progressiva preparando-me bem para as fases finais e importantes das competições e poder voltar com urgência à selecção.

 

Não poderíamos não falar da Selecção. O ano começou com um Europeu e voltamos a estar perto do título. Qual é o balanço que fazes tanto a nível individual como colectivo?

Infelizmente estamos sempre no quase… Há que melhorar, ver o que falta e ultrapassar isso para conseguirmos o tão desejado título…

A nível individual normalmente só consegues reconhecimento quando vences competições...

 

Em Setembro foste nomeado capitão da equipa das quinas e quase ao mesmo tempo és nomeado para jogador do centenário da FPF…

Nomearem-me como capitão foi um reconhecimento que me agradou muito, sem dúvida alguma. Ao mesmo tempo sinto uma responsabilidade acrescida e ao qual quero estar preparado para corresponder bem porque tanto os portugueses como a FPF merecem! Quanto ao estar nomeado para um troféu tão importante é sem dúvida um orgulho!

 

Numa vertente menos competitiva, mas não menos importante durante o Verão viajaste até ao Dubai para participar num torneio muito prestigiado e com alguns dos melhores jogadores do Mundo. Para quem não conhece tão bem o evento, explica como é a prova...

É um torneio que dentro de algum tempo será dos melhores e mais conhecidos do Mundo, ao qual os melhores jogadores já têm marcado presença. Claro que tem aliciantes a nível financeiro que ajuda a que os melhores marquem presença.

O NAS (nome da prova) todos os anos tem melhorado em termos de público e reconhecimento. A nível de regras também tem sofrido ajustes, este ano só podíamos ter 3 estrangeiros por equipa e só 2 podiam estar em campo ao mesmo tempo. A nossa equipa conseguiu fazer um torneio muito bom, sempre a subir de nível de jogo para jogo e acabámos a vencer na final uma equipa recheada de craques como Miguelín, Alex (ElPozo) e Falcão... 

 

Mais uma vez, além do título colectivo juntaste o título individual de melhor jogador do torneio! Sentimento de missão cumprida perante quem apostou em ti?

Eu jogue um torneio de bairro ou um torneio num país de primeiro Mundo e com grandes valores envolvidos entro sempre para ganhar e dou sempre o meu melhor! Felizmente correu mais uma vez bem e somos a única equipa que venceu duas vezes esse torneio, logo temos conquistado tudo e todos! De qualquer forma, jogo sempre sem pressão de ganhar e de ter de ser o "melhor"… eu sou mais um na equipa que faz o seu papel para conseguir ajudar a ganhar, dar a alegria de vencer às pessoas que confiam na minha pessoa e qualidade como jogador!

 

 

O Dubai é para voltar? Já em 2015?

Sem qualquer dúvida... Que chegue rápido o Verão!

 

Para finalizarmos, gostavámos que elegesses o melhor e o pior de 2014 e as perspectivas/desejos pessoais e profissionais para 2015.

O pior: a lesão que me fez parar 2 meses e perder mais de 11 jogos que me impediu de participar na fase importante da melhor competição do Mundo.

 

O Melhor: todos os títulos conquistados…

 

2015: espero que as lesões me deixem em paz de vez e que consiga jogar todas as finais possíveis para tentar vencer.

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